Chile: caminho de volta à Santiago
Chegamos à Hacienda Los Lingues depois de um dia de uma viagem bem tranquila desde Valdívia. Ao sair da Ruta 5, não acreditamos nas instruções do GPS e tomamos uma estradinha de terra que nos levou por uns 5 km até a entrada da fazenda. Na verdade, o GPS estava certo (dahn!!) e há um caminho pavimentado que chega ao local. No estacionamento, várias vans e alguns caminhões e eu pensei “ai meu Deus, onde fomos nos meter?”. Mais tarde vimos que havia uma equipe filmando uma novela de época para a televisão chilena nas instalações do hotel.
A fazenda está localizada em uma região muito bonita, tem jardins com árvores centenárias, e uma horta de onde vem a maioria dos produtos servidos nas refeições no hotel, segundo nos informou nosso garçon. A piscina fica fora da ala principal, a alguns metros de distância do portão principal, e nós fomos também a um laguinho de onde se tem uma vista geral das instalações.
Uma das fazendas mais antigas e preservadas do Chile, o lugar é sem dúvida testemunho do dinheiro antigo no país. A casa principal data de meados do século XVIII e é decorada no estilo, com pesados móveis, tapetes, cortinas, papéis de parede floridos e muitos objetos da família em exposição. O quarto em que ficamos nos fez pensar que estávamos no quarto da fazenda da minha bisavó, se ela tivesse uma. Olha só o quarto:
O nosso guia (Rough Guide to Chile 2006) afirmava que o hotel era parte do grupo Relais e Châteaux, mas pelo que vimos não é mais. Percebemos uma certa decadência na fazenda, desde o papel de parede descascado, até a toalha bordada poída e o gerente (na verdade genro do dono) reclamando da interferência da família na condução nos negócios… Enfim, tudo meio surreal!
Na manhã seguinte, partimos diretamente para o aeroporto de Santiago, 150 km ao norte, onde entregamos o carro e embarcamos no voo da Sky Airlines para Calama, com escala em Antofagasta. Apesar de o avião não ser muito novo, a viagem de pouco mais de duas horas foi agradável, no horário, e com um lanchinho de fazer a Gol passar vergonha. Em Calama, já tínhamos contratado com o hotel nosso transfer até San Pedro de Atacama, nossa base no deserto mais árido do mundo.
Outros capítulos da viagem ao Chile:
Nossa viagem ao Chile: primeira parte
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Puerto Varas e Valdívia
Chegamos em Puerto Varas e nos instalamos no Hotel Licarayén, num quarto com frente para o Lago Llanquihue e uma vista dos vulcões Osorno e Calbuco de tirar o fôlego. Nem chegamos a ir a Puerto Montt, já que tínhamos ouvido, mais de uma vez, que não valia a pena esticar a viagem até lá.
Puerto Varas é uma cidade parecida com Pucón, com lagos e vulcões e muitos turistas que aproveitam da infraestrutura da cidade para fazer base e explorar o entorno. O parque nacional Vicente Perez Rosales fica bem próximo, e aí é possível fazer trilhas, caminhadas, e até mesmo escalar o vulcão Osorno.
Queríamos ver o Lago de Todos os Santos, de onde começa a travessia para Bariloche, que eu tinha feito há muitos anos, e para lá fomos na tarde seguinte. A estrada vai margeando o lago Llanquihue por uns 40 km, até Ensenada. Daí a paisagem se torna mais bonita, principalmente quando a estrada se encontra com o Rio Petrohué, o rio mais turquesa que já vi. Paramos para ver as corredeiras, chamadas Saltos de Petrohué, logo antes da entrada do Parque Nacional.
Seguindo por uma estradinha de terra de 6 km chega-se ao ponto final para quem não vai pegar o ferry boat para Peulla e seguir até a Argentina. É o Lago de Todos os Santos, o mais bonito que vimos na região. É chamado de Lago Esmeralda justamente por causa da cor intensa da água. As margens do lago são de uma areia escura, que nos pareceu resultante de uma erupção vulcânica passada.
Resolvemos que vamos voltar um dia para fazer a Cruce de Lagos, e completar o passeio que começa aqui em Petrohué. Por ora, tínhamos de voltar a Puerto Varas, para começar, no dia seguinte, nossa viagem de volta a Santiago. Neste trecho iríamos parar em Valdívia, uma cidade que, segundo nosso guia de viagem, compensava o desvio de 50 km a oeste da Ruta 5. Queríamos também ver o Oceano Pacífico, e achamos que esta cidadezinha litorânea seria uma boa pedida. Segundo a descrição do guia, era uma cidade cosmopolita, vibrante, que mistura o colonial com o contemporâneo.
Logo descobrimos que, na verdade, Valdívia não fica no litoral, mas em uma confluência de rios a alguns poucos quilômetros do mar. A cidade também não é tão cosmopolita quanto descreveu nosso guia, mas é uma pequena cidade universitária, que abriga o campus da Universidade Austral do Chile. Como era um período de férias, não havia muito movimento. Gostamos muito do hotel em que ficamos, o Hotel Naguilán, um pouco afastado do centro, mas com um delicioso deque para o Rio Valdívia.
A cidade tem um Mercado Fluvial e, na ilha logo em frente, um Museu Histórico e Antropológico. Há vários barcos ancorados, que fazem passeios pelos rios da região, e levam a algumas fortificações espanholas do século XVII. Nos contentamos em ver os leões marinhos, que aparecem no rio próximo ao mercado para ganhar restos de peixe e tomar um banho de sol. Havia também um misterioso submarino ancorado que, pareceu ao Steve, ser da Segunda guerra mundial.
Para não encarar os 850 km até Santiago, decidimos dormir próximo a San Fernando, e aproveitar nossa última noite novamente no Vale do Colchagua. Minha vontade era ficar no hotel da vinícola Casa Silva, mas estava lotado. Reservamos então uma noite na Hacienda Los Lingues, “uma das haciendas mais antigas e bem preservadas do Chile”, segundo nosso guia. Mas esta história fica para a próxima…
Mais da nossa viagem ao Chile:
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De Santa Cruz a Pucón
Santa Cruz está 30 km a oeste da Ruta 5 (em direção ao Pacífico), em uma estrada de mão única que liga a cidade de San Fernando ao litoral. O nosso hotel estava localizado nesta estrada secundária, a poucos metros da entrada de Santa Cruz. Para voltarmos à Ruta 5 e seguirmos para o sul, resolvemos tomar um caminho diferente por uma estrada vicinal que passa por entre as diversas vinhas da região. Com o auxílio do nosso GPS, a que carinhosamente batizamos de Queenie, chegamos à Teño, de volta à Panamericana que nos levaria à Pucón, 620 km ao sul.
A viagem é bem tranquila, e encontramos a estrada especialmente vazia, devido ao feriado do dia 01/01. Como disse antes, a Ruta 5 é super bem conservada, então dá para justificar os váaarios pedágios que encontramos no percurso. Calculamos que a cada 80-100 km é preciso pagar 1900 pesos chilenos (R$7,00). Fui juntando os comprovantes e, no final da viagem, vi que pagamos mais de 20 pedágios, somando um pouco mais de 40.000 pesos (R$150,00).
Atravessamos o chamado vale central do Chile, a região mais fértil do país, de onde vem grande parte da produção agrícola. Atualmente, a agroindústria toma conta de grande parte da região e, além das vinhas, há plantações de frutas e verduras na maioria do percurso. Durante a viagem até Chillán, especialmente, vê-se enormes galpões de estocagem e processamento de produtos agrícolas. A cordilheira dos Andes, neste trecho, não apresenta montanhas tão altas quanto na região de Santiago ou mais ao norte, mas vez ou outra é possível avistar um pico com neve.
No meio do caminho tinha uma cachoeira…
340 km ao sul de Teño, a poucos metros da Ruta 5, fizemos uma paradinha para conhecer Salto Del Laja, uma cachoeira que, segundo nosso guia de viagem (o livro Rough Guide to Chile, 2006), era uma miniatura de Niagara Falls. Well, me desculpe a cachoeira e o guia, mas tendo estado em Foz do Iguaçu recentemente e conhecendo Niagara Falls, posso dizer que a Salto Del Laja é até bonitinha, mas não é assim nenhuma Niagara. Parece que é um programa popular entre os chilenos, há barraquinhas vendendo souvenirs e estava bem cheio de gente. De qualquer forma, é um lugar para fazer uma paradinha técnica na longa viagem até Pucón.
Pucón
Da cachoeira, fomos direto a Pucón, pegando a Ruta 199, já no chamado distrito dos lagos. A partir da cidade de Villarica, são 30 km de estrada margeando o lago Villarica, que oferece aqui e ali belas paisagens. Estávamos apreensivos quanto ao hotel em Pucón. Era feriado, a cidade cheia, e não tínhamos hotel reservado. Resolvemos estacionar na Plaza de Armas e sair procurando. Nossa primeira opção foi o Gran Hotel de Pucón, o hotel mais tradicional da cidade, situado na beira do lago Villarica. Como estava lotado, contornamos a praça e achamos um quarto no Hotel Huincahué, um hotel pequeno e confortável com um quarto bem espaçoso.
Pucón é uma cidade muito simpática, à sombra do vulcão Villarica, com casas de madeira – um pouco como Gramado. É um destino ideal para os amantes do turismo de aventura, pois de lá é possível: escalar o vulcão Villarica, cavalgar nas encostas do vulcão no Parque Nacional Villarica, fazer rafting nas corredeiras do Rio Huerquehue, pescar nos lagos e rios ao redor da cidade, e muito mais. Nós não fizemos nada disso! Fizemos um passeio até as “praias” do lago Villarica e La Poza, e compramos souvenirs na feira de artesanatos na Plaza de Armas.
À noite, a cidade é super movimentada, os bares e restaurantes da Av. Bernardo O’Higgins ficam lotados. Ah! e só tem gente bonita, todo mundo magro, de cabelo liso e sorridente. E como são bonitos e simpáticos, os chilenos! Não cruzamos com ninguém mau humorado no nosso caminho. Sempre falam “ya” pra tudo (no castelhano falado por lá “ya” quer dizer sim, ok, tudo bem!).
Os Sete Lagos
Saindo de Pucón, voltamos em direção à Villarica e de lá, mais uma vez, tomamos uma estrada secundária pela região dos Sete Lagos, que nos levou às paisagens mais bonitas desta parte da viagem. 30 km ao sul de Villarica está o Lago Calafquén e daí rumamos para a esquerda, com direção a Coñaripe. A estrada de terra é bem conservada, nem o Steve reclamou. De Coñaripe, fomos a Panguipulli e de lá voltamos para a Panamericana, na cidade de Los Lagos. O percurso todo, de Pucón à Panamericana, levou umas 2 horas, de lagos e vulcões e rios azuis.
De Los Lagos a Puerto Varas, nossa próxima parada, são 180 km, que foram percorridos em menos de 2 horas. Mas Puerto Varas fica para o próximo post.
Mais da nossa viagem:
Nossa viagem ao Chile (1a parte)
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Nossa viagem ao Chile (1a parte)
Fui ao Chile pela primeira vez com minha mãe, quando ainda era adolescente. Fizemos a travessia da Cordilheira dos Andes, de Bariloche à Puerto Montt, e depois voamos para Santiago onde passamos alguns dias. Desde então, voltei à Argentina algumas vezes, mas nunca mais tive oportunidade de voltar ao Chile.
Quando resolvemos gastar as milhas que tínhamos para um passeio na América do Sul, o Chile nos pareceu o lugar ideal. Em duas semanas, poderíamos ir de norte a sul, visitar o deserto de Atacama, o vale do Colchagua e a região dos Lagos, de cujas paisagens espetaculares ainda me lembrava. O difícil foi resolver o que deixaríamos para uma próxima ida, como a Ilha de Páscoa, o passeio de navio para ver as geleiras, e a região de Puerto Natales, no extremo sul da Patagônia Chilena.
Decidimos alugar um carro na primeira semana da viagem para viajar para o sul e, na segunda semana, ir ao deserto de Atacama de avião. Ficaríamos um dia em Santiago antes de embarcar de volta ao Brasil.
- Será que vale a pena dirigir de Santiago a Puerto Varas e de volta a Santiago em uma semana?
Foi a pergunta que nos fizemos quando ficamos sabendo que, para devolver em Puerto Varas um carro alugado em Santiago, teríamos que pagar quase o dobro do que pagaríamos se o carro fosse devolvido no local em que foi alugado. Depois de algumas pesquisas, sabíamos que a Ruta 5, estrada panamericana que corta o Chile de sul ao norte, é uma rodovia totalmente duplicada e com asfalto em excelente estado de conservação. Sabíamos também que a distância entre as duas cidades era de aproximadamente 1000 km e que havia alguns lugares interessantes no caminho. O motivo mesmo para querermos ir de carro era poder parar nas cidadezinhas do vale do Colchagua, da região dos lagos e dos vulcões. Queríamos também conhecer uma cidade litorânea.
Então, fazendo as contas, resolvemos encarar os 2000 km de viagem, e embarcar com um roteiro mais ou menos definido, mas que estava aberto a mudanças. Como era altíssima estação (réveillon), reservamos hotel para os dois primeiros dias da viagem (em Santa Cruz, no Vale do Colchagua). De resto, iríamos arriscar.
1a parada: Vale do Colchagua
Tínhamos chegado em Santiago depois de 2:00 da manhã com energia somente para atravessar a rua e cair no Holliday Inn do Aeroporto, que ganhou nota 10 no quesito proximidade do desembarque. Foi ótimo, àquela hora, não precisarmos nos preocupar com táxis, trânsferes, etc. Quando acordamos, atravessamos novamente a rua para buscar o carro que tínhamos reservado para alugar. Sorte. Não havia carros disponíveis em nenhuma locadora para quem não tivesse reserva.
E deixamos Santiago com destino a Santa Cruz, a menos de 200 km ao sul. Pudemos confirmar que a Ruta 5 é mesmo ótima e, ainda melhor, é que os chilenos são extremamente bem educados no trânsito: nos 2.500 km que dirigimos, não vimos nenhum louco passando a 150km/h quando o limite de velocidade é 120km/h e, surpreendentemente, não presenciamos nenhum acidente.
Já estava quase me estressando por não ter levado o endereço do Hotel Casa de Campo, que seria nosso endereço nos próximos dois dias, quando vimos a placa de entrada, a menos de 1 km de Santa Cruz. O hotel, na verdade uma agradável pousada, é mesmo na beira da estrada, mas ficamos muito bem impressionados com a simpatia com que fomos atendidos e com as instalações, que nos fizeram sentir como se estivéssemos mesmo passando uns dias no sítio de um amigo.
Ainda dava tempo para conhecer uma vinícola, e foi o que fizemos. Na loja da Ruta del Vino, na praça principal de Santa Cruz, nos indicaram a vinícola Viu Manent, que fica a poucos quilômetros do hotel, então rumamos para lá. Uma das vinícolas mais antigas da região, tem como especialidade o vinho Malbec, mas gostamos muito do Carménère que nos foi servido na desgustação. O tour inclui um passeio de charrete através das vinhas até a unidade de produção, onde experimentamos o vinho diretamente dos barris, antes de estar pronto para o consumo. Assim, pudemos comparar com o produto maduro que provamos na desgustação. Para mim, que nunca tinha visitado uma vinícola antes, foi muito tudo muito interessante. Mas juro que não consegui sentir no vinho o “retrogosto de tabaco com notas de café” que o guia insistia em salientar.
No dia seguinte, último dia do ano, ainda visitamos duas outras vinícolas: a Viña Montes, que nos tinha sido recomendada, e a bonita Casa Lapostolle. Nas duas, o vinho é produzido em instalações moderníssimas sem que precise ser bombeado, pois a forma com que as instalações foram construídas permite que seja transportado sempre pela força da gravidade. Não faço ideia de como isso altera o gosto do vinho, mas, pelo que nos explicaram, parece que é o que há de mais avançado em termos de produção de vinhos.
Para o Réveillon, tínhamos duas opções: um jantar no Hotel Santa Cruz, principal hotel da cidade, ou uma ida ao cassino onde haveria música ao vivo. Escolhemos o cassino porque no ano anterior participamos de uma festa no hotel em que estávamos no Egito e não gostamos muito. Fomos para o cassino só mesmo para brindar a meia-noite, pois no dia seguinte teríamos uns 700 km de estrada nos aguardando. E assim, logo depois da entrada de 2010, voltamos para nosso hotel-casa-de-campo.
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Um hotel com vista para as pirâmides
Poderia começar falando do trânsito caótico do Cairo e que, por causa disso, o Steve quase surtou no caminho do aeroporto ao hotel. Mas não. Vou falar do hotel com a vista com que todo mundo merece acordar pelo menos uma vez na vida. O hotel Mena House em Gizé.
Atualmente parte da cadeia indiana Oberoi, o hotel tem uma longa história, pois já em 1869 – ano em que foi inaugurado o canal de Suez – havia um alojamento para caçadores no local onde o hotel hoje se encontra. O Mena House foi inaugurado em 1886, e apesar de ter sofrido várias reformas, renovações e ampliações, data desta época o prédio que hoje abriga a recepção e os restaurantes.
Os quartos com vista para as pirâmide estão localizados neste prédio – chamado Palace – mas há outros blocos construídos ao redor dos jardins e piscinas do hotel. Nestes, me parece que não há quartos com vista privilegiada. O hotel tem vários restaurantes, um deles – The Moghul Room – considerado o melhor restaurante de comida indiana do Cairo. Como o Steve adora comida indiana, fomos experimentar e o restaurante não decepcionou. Estava tudo delicioso.
Para visitar as pirâmides, basta sair do hotel e subir uma ladeirinha. Pronto, você já está nos guichês de entrada, e logo depois na área dos monumentos. Depois de ter dormido e acordado à sombra das pirâmides, você já estará íntimo delas, quando for visitá-las.
Não foi fácil conseguir reservar o quarto com vista para as pirâmides. Tentamos reservar através do website, mas informavam que o hotel não estava disponível para o período. Comecei então a enviar emails para a central de reservas do grupo Oberoi e para o gerente do Mena House, e só depois de trocar 17 emails (é, eu contei!) é que consegui finalmente nossa reserva. Mas acho que valeu a pena!

























20 janeiro, 2010 | Written by Steve | Comments: Add comment